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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Primeiro amor

Quando as estrelas reinam no céu

a lua do nosso amor brilha mais que o sol em meu peito

fecho a porta do quarto e me deito

mas os olhos não fecham, a boca traqueja

e o coração acelera

A tua lembrança bate e rebate

com o som de um martelo judicial nas mãos da felicidade

ela sentencia o nosso amor e nos dá a liberdade

a nossa condicional foi assinada

por todos os promotores da verdade

Não sou juiz, tampouco sábio para fazer julgamento

mas absolvo todos os seus erros

pois tudo em você é perfeito

eu te quero do seu jeito

de cara limpa e com defeitos

A saudade não me incomoda

ela simplesmente reforça o que eu estou sentindo

é a certeza de que estivemos juntos

que o dobro do meu tudo

está guardado contigo

Se os olhos são o espelho da alma

Os seus são a porta do céu

Sublimes como crianças

Obscuros como véus

Quando eu não te conhecia, aliás,

como eu sofria, a noite me assombrava

o silêncio me calava, nem as paredes me ouviam

o telefone não tocava com a sua voz macia

perguntando sobre o meu dia

Ninguém ia me consolar

e escutar meus anseios

olhar além dos olhos, do coração e da alma

E mesmo sem dizer nada

contar o maior segredo

Esse que é o segredo da vida

que todos almejam encontrar

que o cientista pesquisa, que nem mesmo Freud explica

mas que só os enamorados

conseguem vivenciar

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Ode a um ídolo

Homenagem a todos os pais


A tua barba já está grisalha

E eu afago o teu pouco cabelo

O labor te deixou cansado

Mas o sorriso continua o mesmo

Tentavas esconder a angústia

Quando desabava o teu chão

Disfarçavas e sorrias pra gente

Mas o olhar guardava a preocupação

De nunca deixar faltar

O pão de cada em dia em nossa mesa

Não faltou, mas e se faltasse

O amor não faltaria com certeza

A custo e com muito suor

Trabalhavas dia a dia sem parar

E se estava difícil te calavas

Para não nos preocupar

Me desculpa se contigo não dividi

Tantos momentos bons de alegria

Se com outros procurei me divertir

Enquanto você em casa não dormia

Me desculpa quando eu só te procurava

Pra falar dos problemas que eu trazia

Das angústias, dos medos e frustrações

Que você pacientemente ouvia

Fostes o conselheiro, o meu

Fiel escudeiro, fostes o meu divã

E quando eu não tinha sono, cantastes

Mais que Caetano ou que qualquer Djavan

Quando uma porta sem piedade se fechava

Você me dava esperança

Eu cresci como sonhava

Mas o mundo me faz querer ser aquela criança

Que quando de medo chorava

Encontrava em teus braços o conforto

Deleitava o pequeno corpo em teu peito

E já se sentia seguro de novo

Pai eu fico descontente

Por não te trazer nenhum presente

Sei que isso não te deixa magoado

Pois o que importa é eu estar ao teu lado

O seu dever está cumprido

Já sou um homem formado

Se te recompensei, não sei

Mas, muito obrigado.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Ode à minha mãe

Eu precisava voltar

Só por uma vez tomar o seu café sem reclamar

Sentir o cheiro da sua comida pela casa inteira

E te dizer que ela é a mais perfeita

Compreender o gosto com que fazias tudo pra mim

O amor com que te acordavas cedo

Preparava o meu café, e antes de eu sair

Pra batalha de um dia inteiro

A proteção que eu ganhava

Com o amor do teu beijo

Entender o teu sorriso ao ver minha felicidade

E mais nunca te coibir, tentar te calar,

Ou te boicotar, por todas as minhas conquistas

À vizinhança contar

Agora eu sei, era orgulho

Nunca entendi isso, por nunca ter sido maduro

Por em seus braços ser uma criança

Que alimentava as suas esperanças

De ser um homem de futuro

Não quero jamais frustrar

O entusiasmo de quando vinhas me falar

Que contastes a todos do meu sucesso

Pois na minha pequenez diante do universo

Eu não pude enxergar a satisfação de uma mãe

Em dizer criei meu filho para um caminho são

Eu queria pedir perdão

Pelas vezes em que, preocupado com os problemas da vida,

Deixei de te dar bom dia, de beijar a sua mão

No momento em que pedia a bênção

Correndo, apressado pela insatisfação

De não ser completo para o mundo

Mas, esquecendo de ser completo para a minha mãe

Eu sei que não fui bom filho

Que não te tratei como mãe

E isso é uma frustração sua que você nunca vai manifestar

Pois você prefere me preservar

Isso é natural, um amor incondicional

Que faz a boca silenciar, quando o peito quer gritar

Mãe, te amo e isso basta

Sei que falar isso te conforta

O céu torna a ser azul e o sol entra pela porta

Quantas vezes me dissestes exatamente isso

E eu dizia também te amo só pra me deixares ir embora

Ou quantas vezes nem respondi e a senhora ouviu a porta

Fechando devagarzinho, eu já do lado de fora

Mas fazias questão de gritar novamente: te amo

Eu ficava irritado, as pessoas na rua passando

Me faziam sentir vergonha, mas isso já não importa

Tudo o que eu queria é que você me levasse à escola

E de mãos dadas me beijasse na frente dos amiguinhos

Mas vou te dar um beijo agora

Dizer: te amo, me perdoa, você é a razão da minha história