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segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Bacurau: o filme nordestino que fala de resistência, preconceito e violência atinge meio milhão de espectadores


Bacurau já se tornou um dos grandes nomes do cinema nacional brasileiro e um dos mais importantes da produção contemporânea. Na semana passada, o longa-metragem alcançou a incrível marca de 500 milhões de espectadores. Depois de quase um mês de exibição, o filme deve sair das salas de cinema da maioria das cidades brasileiras, mas segue em cartaz na sociedade.

O longa foi gravado no interior de duas cidades do Rio Grande do Norte, Parelhas e Acari. O pequeno povoado de Barra é que dá vida à comunidade de Bacurau. O enredo mostra um futuro fictício no Brasil de desigualdade, preconceito e apologia à violência, em que políticos tentam extinguir o povoado de Bacurau, utilizando-se de pessoas do Sul do país e de estrangeiros que reforçam a todo instante o preconceito regional contra esses nordestinos. Os moradores da comunidade lutam para que ela não seja extinta do mapa e seus habitantes não sejam dizimados.


A estória tem muitas mortes, na medida em que os gringos se divertem ao exterminar os nordestinos, e é uma forma impactante para falar sobre temas cotidianos como a banalização da violência, a apologia às armas, a ridicularização dos marginalizados, a desvalorização da vida, a bestialização da pobreza. Bacurau tenta mostrar para que futuro iremos retornar se a sociedade continuar cultuando o que valoriza no presente. E, sobretudo, Bacurau trata sobre resistência.



Por ser um faroeste (western) bem elaborado, tecnicamente a película prende bastante o público e aproveita este ponto favorável para colocar o público em cheque, em desconforto ideológico. Bacurau chamou a atenção do mundo, venceu o prêmio do júri de melhor filme no Festival de Cannes, na França, e de melhor filme, melhor direção e crítica internacional no Festival de Lima, no Peru.

A obra dos diretores pernambucanos Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles resultou na contratação de cerca de 800 pessoas e ainda rendeu dinheiro extra para os moradores do povoado de Barra, que trabalharam nas gravações.

Fotos: Divulgação

quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Vovô do Samu: condutor socorrista completa 75 anos, continua salvando vidas, e ganha festa dos colegas



Geralmente as pessoas da chamada terceira idade costumam ter uma experiência rotineira com os médicos. Pode ser de uma simples consulta normal com o geriatra até os casos de idas e vindas a vários especialistas. Para seu João Francisco da Silva, um senhor de 75 anos de idade, a experiência com os médicos é diária, mas é de outra forma, já que ele trabalha como condutor socorrista do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192).
Mesmo com idade para se aposentar, o motorista de ambulância e socorrista não quis deixar a atividade. Esta semana ele completou 75 anos de idade e 15 anos de carreira como condutor. Seu João está no serviço desde que ele foi implantado em sua cidade, Campina Grande, na Paraíba. Ele foi o condutor do primeiro plantão do serviço, dirigiu a primeira ambulância e realizou a primeira ocorrência.
“Eu lembro até os detalhes, foi numa sexta-feira e de lá pra cá eu me apaixonei por essa profissão”, relatou. Os colegas de trabalho realizaram uma festa pra comemorar o aniversário do samuzeiro. “Ele é um profissional muito competente que veste a camisa pelo serviço, sendo espelho para os demais colaboradores! Chega sempre no horário e mesmo com a idade avançada, realiza ocorrências com destreza em sua condução. Tem um zelo pelo patrimônio público e realiza com afinco essa função. Exemplo de ser humano”, disse o médico Ismael Kim.

A profissão exige bastante das equipes de socorro. Seu João dirige a Unidade de Suporte Avançado, que é designada para os casos mais graves e que tem equipe médica completa. Ele chega a trabalhar em plantões de até 24 horas. “Não tem preguiça, nem corpo mole pra mim. Pode ser o que for de ocorrência, eu faço questão de ir. Acidente, parto, gente ferida, baleada, passando mal. A minha missão é salvar vidas”, afirma. A dedicação e a competência o fizeram ser elevado ao cargo de supervisor de frota.
Antes de virar condutor socorrista, ele exerceu diversas outras atividades e criou os quatro filhos, que já se formaram, casaram e lhe deram um total de quatro netos. Os filhos são dois engenheiros, uma contadora e uma advogada, que seu João faz questão de dizer que formou com muito suor.
Técnico agrícola por formação, João Francisco não descansa nos dias de folga do Samu, mas passa o dia trabalhando em um sítio. “Quando saio do serviço, vou para minha granjinha, cuidar de bicho e de roça, fazer outra coisa que também amo e nem vejo a hora passar”, relatou.
Mas é mesmo no Samu que está a maior realização do idoso. “Quando chega à noite que eu me deito e sei que vou trabalhar no outro dia no Samu, digo para a minha esposa que sou feliz porque vou fazer o que amo quando acordar”, relatou sorridente.

sábado, 13 de julho de 2019

Estudante surdo se forma com conceito A em universidade pública, desenvolve game e destaca ajuda de outros surdos


Matheus Soares revela como grupo de outros surdos o ajudou.

Jogo desenvolvido foi apresentado e aprovado com conceito A.
Quando uma pessoa nasce com um diagnóstico de surdez severa, isto significa dizer que o paciente tem uma possibilidade muito grande de não desenvolver a audição e, por consequência, a fala. Matheus Soares nasceu há 23 anos com este tipo de deficiência. Os pais não descansaram e investiram no tratamento do filho. Apesar de todo o esforço e trabalho com a ajuda de profissionais preparados, o grau avançou para surdez profunda. Mas isso não impossibilitou Matheus de desenvolver a fala e de escutar por meio da ajuda de um aparelho auditivo.
Mesmo com a dificuldade de comunicação, o primeiro curso superior pretendido pelo jovem foi o de Comunicação Social. Largou a vida tranquila em um apartamento de classe média da família no Rio de Janeiro para morar em Campina Grande, na Paraíba, e estudar na Universidade Estadual da Paraíba.
Depois de um período no curso, decidiu mudar e foi estudar Arte e Mídia na Universidade Federal de Campina Grande. Matheus conta que teve muitas dificuldades de adaptação pela falta de acessibilidade e inclusão, mas conseguiu compensar os obstáculos com muita leitura e a ajuda de alunos e professores. “Eu entendo boa parte do que as pessoas falam por meio da leitura labial. Então, quando o professor bota a mão na frente da boca ou fala de costas, eu simplesmente não capto o que está sendo dito. Foi muito difícil, mas eles conseguiram entender em parte, e eu também corri atrás”, disse Matheus.
O fascínio pela animação e o mundo dos games o levou a desenvolver um produto inusitado no curso: um jogo digital. “O Ataque das Galinhas Mutantes” é um game bem humorado em que o fazendeiro tem que se livrar da fúria das galinhas. O jovem contou com a ajuda de amigos e do próprio pai para desenvolver o produto. O trabalho foi aprovado com conceito “A” pela banca da UFCG.
Mas o caminho até essas conquistas não foi tão fácil. Matheus conta que a deficiência criou muita dificuldade na interação. “A surdez, mesmo que não completa, causa muitos problemas de comunicação, o que desenvolve a dificuldade de interação social. E isso é muito sério! Durante muito tempo, me deparei com uma dificuldade de interação, o que prejudica em todas as áreas”, narra.
Contato com grupo de surdos oralizados ajudou Matheus a superar obstáculos.
Mas foi a partir do contato com um grupo de surdos oralizados que Matheus conseguiu se desenvolver e superar os obstáculos. “Desde 2017 eu entrei para esse grupo criado por uma paraibana de João Pessoa. O ‘Diversidade Surda’ reúne pessoas que têm dificuldade na audição e na fala, mas que não se comunicam pela Língua Brasileira de Sinais. Pensar que surdos só falam através da Libras é uma visão muito limitada”, explicou.
O grupo tem mais de 150 participantes e realiza encontros semestrais em estados diferentes do país. “Esse grupo ajudou a melhorar minha autoestima e a ganhar autonomia e confiança. Hoje eu viajo sozinho, sou independente nesse sentido. O nosso grupo está ganhando visibilidade porque não é para falar apenas tecnicamente da surdez, mas é para promover a amizade entre surdos”, disse.
Hoje Matheus desenvolve conteúdo para os perfis do grupo nas redes sociais para ajudar outras pessoas com a mesma deficiência. O jovem ainda está decidindo quais serão os próximos passos da sua história, mas deve retornar para o Rio de Janeiro e se dedicar à área de tecnologia da informação e ciência de dados. Contudo, já tem a certeza que se encontrou no mundo. “É aquela sensação de pertencimento, de se sentir incluído e respeitado. A verdadeira alegria está em conviver entre seus semelhantes.”

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Gari se forma e defende TCC vestido com farda de trabalho: “Antes eu tinha vergonha, hoje tenho orgulho”

Rafael Melo Poeta
Gari falou sobre a invisibilidade social dos agentes de limpeza pública. (Foto: Dje Silva)

“Trabalho e desigualdade social na contemporaneidade: reflexões sobre a invisibilidade dos agentes de limpeza pública”. O tema da pesquisa isoladamente já seria um assunto socialmente rico para qualquer estudante do curso de história de uma universidade pública no interior da Paraíba. Mas o trabalho ganhou ainda mais representatividade e chamou a atenção do campus da Universidade Estadual da Paraíba na cidade de Guarabira quando Ednilson de Pontes Silva, gari, casado, de 31 anos, chegou à instituição vestido com o fardamento de trabalho para defender o trabalho de conclusão de curso.
Familiares, amigos, professores e alunos assistiram à defesa. (Foto: Dje Silva)

Deninho, como é conhecido no local, trabalha como gari na cidade de Pirpirituba desde 2011, quando foi aprovado em um concurso público para a função. Em 2013 ele foi aprovado no antigo vestibular da UEPB para o curso de história e iniciou a faculdade no ano seguinte. Neste mês de junho de 2019 ele concluiu o curso defendendo o TCC em meio a amigos, familiares, professores e outros estudantes vestido com o macacão com o qual trabalha diariamente.
“Antes eu tinha vergonha do meu trabalho, hoje eu tenho orgulho. Quando entrei na faculdade, passei uns dois períodos sem dizer qual era a minha profissão, mas depois vi que não tinha nada de errado em ser gari e que eu devia me orgulhar por exercer uma função importante e honesta, até que relatei minha história para os amigos em uma confraternização da turma e eles ficaram felizes por eu estar podendo ter acesso à universidade”, relatou.

Bolo e lembranças foram temáticos. (Foto: Dje Silva)
Ednilson também é filho de um gari. Seu Miguel Martins da Silva tem 60 anos de idade e continua exercendo o papel na sua cidade até os dias atuais. O filho de seu Miguel teve uma trajetória difícil até se formar. Ele trabalhava pela manhã como gari e estudava à tarde. Para ir de Pirpirituba a Guarabira ele utiliza o ônibus escolar e depois conseguiu comprar uma moto para ir assistir às aulas. O gari e estudante também dividia o tempo com as obrigações de casa, já que foi pai durante o período em que estava fazendo o curso.
Deninho conta que decidiu pesquisar sobre a invisibilidade social que enfrentam os agentes de limpeza por causa da indiferença que sentiu na pele nas ruas. “Eu resolvi falar sobre este tema porque senti o quanto somos discriminados socialmente. Pesquisei sobre o tema e encontrei apenas um estudioso que se debruçou sobre o tema, então decidi mostrar a realidade desses trabalhadores tão sofridos e tão importantes”, disse.

Ednilson agradeceu à orientadora ao receber nota 10. (Foto: Dje Silva)
Mas ele não queria apenas discutir sobre o tema academicamente, queria chamar a atenção de toda a sociedade e, para isso, vestiu-se com a roupa do trabalho. “Eu sempre comentava com minha esposa que qualquer dia faria isso porque sempre vêm para as aulas policiais fardados, advogados de terno, enfermeiros de roupa de trabalho e por que não seria possível um gari vir com o fardamento do seu ofício? Que estranheza isso provoca? Meu objetivo era chocar mesmo e fazer refletir”, explicou.
Ednilson entrevistou dez garis para a elaboração da pesquisa. Ao fim da apresentação, a sua nota foi a máxima, 10, e as lembranças desse momento e o bolo de confraternização tiveram como tema os agentes de limpeza pública. “A gente que vem de baixo sabe o significado disso. É por isso que é tão importante a universidade pública de qualidade para quem não tem condições de pagar”, disse o gari e agora professor Ednilson Pontes.

domingo, 9 de junho de 2019

“A arte trouxe nosso filho para essa vida”, diz mãe de criança autista que é artista plástico

Texto: Rafael Melo Poeta

O mundo de Mateus é um universo colorido, recheado de cores vibrantes, de muita energia e uma “chuvinha” de sensibilidade. É fácil entender que ele é um menino muito especial. Mateus tem três anos de idade. Ele vive com a mãe na cidade de Campina Grande, na Paraíba. E é ela, Maria Eduarda, que nos relata sobre como a arte mudou a vida da família.
Os pais receberam o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista aos 2 anos e 7 meses de vida. Neste momento começava a busca por profissionais e tratamentos para que o filho pudesse evoluir dentro das especificidades características do autismo. Foi por meio da Terapia Ocupacional que Duda começou a pintar com o filho. “A terapeuta ocupacional nos motivou a iniciar atividades com tinta de dedo no papel, pois ele não gostava de se sujar e deveríamos criar uma maneira de mudar esse cenário. Eu tentei algumas vezes e percebia que não fluía muito. Um dia, peguei um quadro velho, algumas tintas e pincel e o deixei interagir para perceber se ele iria se interessar mais. Eu fiquei observando de longe e identifiquei uma relação diferente dele com a tela e logo percebi que ali havia uma potencialidade. Comecei a incorporar essa atividade como uma terapia, um momento meu e dele”, relata.

Começava a se desenhar uma nova realidade na vida de Mateus. Antes disso, a mãe precisou superar alguns desafios, como o afastamento do trabalho para dar atenção às necessidades do garoto e a mudança de cidade para integrá-lo à família e estimular a interação social. Mas era mesmo por meio da tela que Mateus tentava se conectar com o mundo, com as pessoas e com ele próprio. “Ele ainda não possuía comunicação verbal, apenas ecolalia. Com o tempo percebi que ele tentava falar o nome das cores e fiquei muito emocionada. Ali iniciou a comunicação verbal dele. Ele foi perdendo a rejeição à sujeira, compreendendo melhor o espaço, melhorando a coordenação motora”, relembra a mãe.
A terapia deu lugar na verdade a um grande prazer na vida de Mateus e da família e a uma espécie de tratamento alternativo que o fez evoluir significativamente, sobretudo na fala. “A pintura trouxe a comunicação verbal dele. Não que todos os tratamentos não sejam importantes e complementares. Claro que ele não estaria falando tão bem sem uma fonoaudióloga. Não estou tirando esse mérito. Ela é maravilhosa! Mas, normalmente, as crianças autistas precisam de algo que as motivem, que seja um elo entre elas e o mundo. Eu atribuo o elo do Mateus à pintura. Ele fica muito feliz quando pinta”, explica.

Como todo menino, Mateus pinta o sete, é bastante ativo, mas é mesmo nas tintas que ele derrama sua energia. “Ele pede para eu comprar telas, diz que quer a tela grande. Ele vai comigo e escolhe as tintas na loja. Acho que todo esse processo o aproxima das pessoas, ajuda na socialização, na introdução dele a novos ambientes. Ele sabe exatamente o que quer pintar e fica com raiva se sugerimos algo”, diz.
Pouco a pouco os quadros vão tomando forma, formando um ser artista e informando a todos sobre muitas lições do autismo que não se escreve, não se fala, mas que se vê e se sente. Duda conta que ele começa desenhando pequenos objetos e seres, desde animais a personagens de desenhos preferidos. Depois as ideias vão sendo cobertas, de modo que não sobra nenhum centímetro incolor na tela. Não há espaço cinza na vida dele. A obra é sempre finalizada com uma “chuvinha”, como costuma dizer, que é um respingar de tinta por cima, e o resultado é sempre uma enchente para os olhos dos apreciadores.

Curiosamente, o trabalho final é sempre uma pintura abstrata, muito embora os autistas tenham mais facilidade com o mundo concreto. “Acredito que é a maneira dele expressar os seus sentimentos e de como ele enxerga as coisas e o mundo. É a percepção dele. Eu também fiquei bastante surpresa pelo Mateus pintar abstrato, mas observando os desenhos dele, percebo que ele realmente não consegue fazer um desenho com detalhes como as crianças da idade dele. Ele faz rabiscos, que pra ele são objetos e personagens”, explica Maria Eduarda. Essa é uma experiência palpável de amor também. Duda decidiu se empenhar na vida do filho e incentivar as artes plásticas como forma de inseri-lo no mundo. Hoje, os quadros são comercializados, Mateus participa de exposições e até de oficinas com outras crianças, autistas ou não. Um perfil foi criado no Instagram chamado EleArtista, um trocadilho semântico entre artista e autista, para divulgar o trabalho e chamar a atenção para as múltiplas possibilidades das pessoas com TEA.
“A arte nos deu esperança. Nós tínhamos uma criança que não falava, que não interagia, que não olhava no olho por muito tempo, que não era capaz de expressar seus sentimentos. Hoje ele é muito mais capaz de fazer tudo isso com muito mais autonomia, e tenho certeza que a arte ajudou muito. A arte trouxe nosso filho para essa vida. Hoje vemos ele sorrindo e cada vez mais feliz com suas descobertas. Ele diz que quando crescer vai ser pintor e pintar muitos quadros bem grandes. Isso nos deixa muito felizes, por saber que ele tem perspectiva de uma autonomia. Que ele tem uma perspectiva de crescer e fazer algo que ame fazer. Esse é o desejo que qualquer pai e mãe têm em relação ao futuro do seu filho. Ficamos felizes por ele ter descoberto algo que ele gosta de fazer, que é natural para ele, que o deixa feliz, e que permite ele se regular e transmutar as suas dificuldades”, encerra mãe.




quarta-feira, 22 de junho de 2016

Documentário sobre cultura popular é lançado nesta quinta em Campina Grande



Nesta quinta-feira, 23, será lançado o documentário “Encontro de Raízes” no Cine São José em Campina Grande às 15h. O documentário reúne diversos artistas e apologistas em um filme que retrata a diversidade cultural da Paraíba. A entrada é franca e haverá apresentações de alguns destes artistas.
O projeto surgiu da vontade dos idealizadores em mostrar a riqueza cultural e humana contida no Brasil. Em novembro de 2015, o evento “Encontro de Raízes” reuniu dezenas de artistas no Sítio São João em Campina Grande para captar material audiovisual das manifestações culturais. Como resultado, surgiram um curta-metragem e um livro de fotografias.
De acordo com um dos organizadores, Sandro Branco, o projeto foi realizado na Paraíba por causa de seus grandes eventos culturais de cunho histórico e popular. “Através de uma visita à região, pudemos conhecer artistas locais e a diversidade cultural da Paraíba, sobretudo, da cidade de Campina Grande, famosa por realizar a maior festa de São João do mundo”, explicou.
O encontro reuniu apresentações de grupos de danças folclóricas, xaxado, quadrilhas juninas, peneira e mamulengo, ciranda, banda de pífano, trios de forró pé de serra, violeiros, poetas populares, emboladores de coco e repentistas. Também foram executados costumes e brincadeiras típicas como o quebra panela, dança de roda, pula corda e o apadrinhamento na fogueira, tradição já quase esquecida pela maioria dos nordestinos. O artesanato e as comidas típicas regionais também estão retratados no curta.
O poeta Zé Laurentino, o músico Zé do Pife, Tony Dumond, Edglei Miguel, o grupo Tropeiros da Borborema, entre outros, participaram do documentário e estarão presentes na estreia do documentário. Após o lançamento, o livro com fotografias dos participantes do “Encontro de Raízes” será apresentado e em seguida será oferecido um coffee-break.  
Livro de fotografias foi produzido no Sítio São João
Os realizadores fazem parte da associação Caracol, do estado do Paraná. O material é fruto de um trabalho de oito meses. Na Paraíba eles receberam o apoio da Associação Raízes de Cultura – Assorac. “Esperamos para fazer a estreia neste período de festa junina porque a cidade inteira está respirando o clima festivo. Pretendemos cooptar apoios para publicar o livro e reproduzir o documentário em larga escala, já que até agora fizemos tudo com recursos próprios”, disse Carla Garcia.
Serviço
Lançamento do documentário "Encontro de Raízes"
Cine São José - 23 de junho - 15h

Entrada gratuita

quinta-feira, 3 de março de 2016

Morre dono do primeiro parque de diversões de São José da Mata

O Parque de Diversões São José não terá o mesmo brilho na festa do padroeiro de São José da Mata este ano. O dono do primeiro parque a fazer a festa da criançada no distrito morreu nesta quarta-feira, 2, vítima de um edema pulmonar ocasionado por uma disfunção renal. Seu José Geraldo Farias de Lima tinha 73 anos de idade.
De acordo com a família, o empresário tinha trabalhado no domingo passado no parque que estava sendo instalado em São José da Mata para a tradicional festa de março. Porém, na segunda-feira ele passou mal, foi socorrido e logo foi internado, mas não resistiu.
Seu Geraldo sempre alocou o seu parque na Rua Salvino de Oliveira. Responsável por trazer o brilho e as luzes que enfeitavam nosso distrito neste mês, ele parte ironicamente no início de março.
Não fosse ele e sua parafernália de ferro enferrujado que se transformava em brinquedos gigantes, muitas crianças do Doze talvez nunca tivessem conhecido de perto um parque de diversões. Responsável por nos apresentar a Roda Gigante de fantasias, foi engolido pela Roda Gigante da vida.
Seu Geraldo era amigo do meu pai. Com a voz baixa comandava todos os funcionários que trabalhavam no parque e quem morasse na rua tinha a certeza de ganhar cortesia. Os pais talvez não gostassem de terem suas calçadas invadidas; os filhos certamente amavam.
Ele não chegava a São José da Mata no Natal, e sim no mês de março. Ele não tinha a barba branca, mas o cabelo branco. Ele também não era o Bom Velhinho, porém um velhinho gente boa. E era ele quem trazia felicidade para os guris da minha rua no tempo da minha infância. 
Neste ano de 2016, a Paróquia de São José decidiu adiar os festejos para depois da Quaresma. Com isso, os brinquedos que estavam sendo montados já estão sendo remanejados para outras cidades. Certamente, março está mais triste em São José da Mata. 

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

"Tá imprensado"

Nós amantes da comunicação fomos surpreendidos este mês com a divulgação de informações que nos falam sobre redução de equipes e cancelamento de publicações nos jornais impressos da Paraíba. Era um desfecho previsível, mas para quem ama o papel, não há como não se entristecer. O jornal impresso é um símbolo, uma marca, um comportamento, uma cultura. Naturalmente caminhamos cada vez mais para a midiatização, para a digitalização dos documentos, para o consumo digital por parte dos leitores, para a submissão ao apelo da megamultimidialidade oferecida na web, para a memória virtual, mas sempre fica aquele ranço.
Não é um sentimento de que o jornalismo digital esteja suprimindo o impresso, do contrário, a internet tem ocupado seu espaço, que é enorme dentro da sociedade. O jornalismo impresso apenas está entrando em desuso, um processo comum em todas as fases evolutivas da humanidade em que técnicas e tecnologias avançadas otimizam as realizadas anteriormente e determinam novas formas de funcionamento de uma atividade humana, de um sistema, nesse caso, o da comunicação.
A instantaneidade oferecida pelo mundo digital, a multimidialidade, a intuitividade, a tactabilidade, a personalização do conteúdo são atributos muito atrativos da internet, não dá para o nosso impresso competir. Além disso, os custos de produção, já que os insumos do jornal são baseados no dólar, e os modelos de negócio são bastante diferentes na web, possibilitam mais lucro e mais dinamismo. Outro agravante é a crise econômica pela qual passamos. Todos sabem que o impresso já enfrentava uma crise, mas a recessão do país tornou ainda mais onerosa a produção neste meio de comunicação. 
Mas, claro, o grande fundamento para o jornalismo impresso não resistir à concorrência digital reside muito claramente no público. A forma de consumir notícia e informação mudou completamente e não há como lutar com o fenômeno da comunicação. Vai ser cada vez mais difícil ver alguém abrindo as longas páginas do jornal sobre a mesa no café da manhã. É também evidente que muitos grupos estão fazendo manobras para contornar o problema e manter vivo e lido o jornal diário. A convergência jornalística e a redefinição visual são alternativas. Não dá para esperar a edição do próximo dia para saber o que vai acontecer.

sábado, 19 de dezembro de 2015

Cordel homenageia Rosil Cavalcanti no centenário do artista



No próximo domingo, 20, Rosil Cavalcanti completaria 100 anos se estivesse vivo. Rosil é o compositor de mais de 80 canções, muitos sucessos foram gravados por Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga, Marinês. O cordel “Baiões de Dois” que será lançado no próximo domingo faz uma homenagem ao artista.
O folheto será apresentado às 14h na Casa do Poeta, no bairro do Catolé e em seguida será exposto também no Museu de Arte Popular da Paraíba, o dos Três Pandeiros, às margens do Açude Velho. No Museu, o pesquisador paraibano Rômulo Nóbrega também estará em uma tarde de autógrafos do livro da biografia de Rosil “Pra Dançar e Xaxar na Paraíba: Andanças de Rosil Cavalcanti”.
O cordel trata especificamente da parceria entre Rosil e Jackson do Pandeiro, a dupla Café com Leite, responsável por tantas músicas e pela atuação no século passado na rádio Tabajara. Além disso, o mesmo cordel também traz outro poema sobre a parceria entre Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, já que 2015 também é o ano do centenário de Humberto, compositor do Rei do Baião.
É por isso que o nome do folheto é Baiões de Dois, já que trata de duas parcerias importantes para a cultura brasileira. As quadras dos versos foram inspiradas no poema de Orlando Tejo sobre os repentistas Louro do Pajeú e Pinto do Monteiro. O autor é Rafael Melo.

sábado, 31 de outubro de 2015

Poeta Zé Laurentino passa por cirurgia e recupera parte da visão

Um lampejo de poesia

Na semana passada, assistindo a uma cantoria de violeiros na Casa do Poeta de Campina Grande, avistei o poeta popular Zé Laurentino acompanhando os cantadores e percebi que ele também me viu. Minha surpresa foi imediata, pois Zé tinha perdido a visão há alguns anos em decorrência de problemas de saúde. Ao conversar com ele, soube que no início deste mês, o poeta passou por um procedimento cirúrgico e recuperou 10% da visão, uma pequena luz acesa no fim do túnel da vida deste poeta. José Laurentino perdeu a esposa também há alguns anos e sem enxergar muitas perspectivas de futuro, o escritor levava os dias regados a muita cachaça.
Depois da cirurgia, Zé me confidenciou que está se sentindo muito mais vivo e que há a possibilidade de passar por um novo procedimento para enxergar ainda mais. Eu nunca tinha tido falado com o poeta antes de ele perder a visão e foi meu primeiro contato visual com o autor de "O mal se paga com o bem". 
É preciso ressaltar que Zé Laurentino é um dos maiores poetas populares em atividade no país, e mesmo durante o período que ficou sem enxergar ele continuou vendo a vida com olhos românticos dos amantes da poesia. Laurentino se destacou nos anos 80 e 90 em Campina Grande no rádio e nos festivais de cultura popular e chegou a viajar para diversos países divulgando a literatura popular.
Nascido no sítio Antas, zona rural de Puxinanã, o poeta vivenciou a mais legítima e original vida nordestina do campo e transcreveu estas experiências para os versos que mostram com muita propriedade um conhecimento verdadeiro do espírito do agricultor, do produtor do interior do Nordeste, como vemos em "O matuto e o doutor". 
A poesia dele transita pelo campo e pela cidade, é cômica como em "O matuto no futebol" e é reflexiva como em "Existe felicidade" e ainda mais bonita como em "A vendedora de Flores". Zé é um poeta singular que consegue colocar beleza em tudo. O nome simples mostra a proximidade com todos os Josés dos sertões brasileiros. A partir de agora, com uma nova visão, será possível escrever ainda mais poemas como "Conversa de passageiro", uma obra recitada no país inteiro pela riqueza de detalhes na descrição das paisagens dos torrões sertanejos.
Ele vive no bairro Presidente Médici, em Campina Grande, e o vizinho Arnaldo Cipriano é o principal amigo. Os dois fazem cantorias todas as semanas e ajudam a perpetuar a cultura local. Neste dia 20 de outubro, dia dedicado aos poetas, a melhor poesia a ser recitada e divulgada é a notícia da recuperação de Zé Laurentino. 

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Após 27 anos, paraquedistas voltam a sobrevoar São José da Mata


Depois de 27 anos sem olhar para o alto, os moradores de São José da Mata voltaram a erguer a cabeça com olhos atentos ao céu neste fim de semana e feriado de Nossa Senhora Aparecida. Apesar do feriado religioso, os matenses não clamavam por nada aos céus, estavam mesmo atentos aos voos de paraquedistas que realizaram atividades no distrito do sábado até a segunda-feira. Desde os anos 80 que os paraquedistas não sobrevoavam São José da Mata.
Vários atletas de todo o estado participaram da ação no Aeroclube, além de iniciantes no paraquedismo que tiveram treinamento durante uma semana e também os moradores do distrito que se aventuraram nos voos. O clube de paraquedismo de Campina Grande foi o segundo a ser cadastrado no país e o primeiro campeonato da modalidade no Brasil foi em Campina em 1964.
A atividade foi retomada e deve ser impulsionada, de acordo com o instrutor Demétrius Carvalho. "Ficaremos realizando estas atividades rotineiramente no Aeroclube. As pessoas que quiserem também poderão fazer um curso de 10 horas/aula para fazer o salto só e, caso queiram apenas curtir, eles podem fazer o salto duplo com instrutor com direito a foto e vídeo", disse.

Contatos:
EDER - 98836-1661
DEMETRIUS - 988885828 / 3077-8785
RAMON - 98713-1424 / 99827-1599

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Campinense transforma carros antigos em super máquinas

Bianco virou uma Ferrari. (Foto: Arquivo Pessoal).

Antigo Bianco resguarda aspectos originais, mas lembra uma Ferrari. (Foto: Arquivo Pessoal).

Opala virou Mustang. (Foto: Arquivo Pessoal).
O blog Jornalismo Poético descobriu em Campina Grande carros com algumas peculiaridades bem interessantes. Os carros fazem parte de uma gama de veículos antigos que são modificados por um apaixonado por este serviço que presta. Alexsandro Ferreira desenvolveu um trabalho artesanal, uma forma particular de mexer nos carros, que se assemelha ao das grandes oficinas do serviço especializado.
Na oficina de Alex, os carros antigos são tunados com peças de carros novos com um ar futurista. A projeção é espelhada em carros esportivos de luxo. O Escort 89 tem lanternas de Agile 2011 e faróis de Fox e é inspirado em um modelo BMW. Já o Fusca 72 tem faróis de Palio na vertical, além de portas no estilo gaivota. A ideia do farol na vertical é dar um aspecto moderno ao carro, algo já presente em carros da marca Chrysler. O mesmo detalhe também aparece no Uno 2004, que tem farol de Astra, também na vertical.
A modificação pode mexer muito na estrutura do carro ou apenas modernizá-lo, mas os donos preferem deixá-lo diferente, se assim podemos dizer. Tudo acontece porque eles chegam com seu carro na oficina e dizem com que carro querem deixá-lo parecido. O segundo passo fica por conta de Alex, que trabalha sozinho no projeto dos carros. “É um trabalho artesanal, muito cuidadoso, que requer atenção e carinho em cada detalhe”, disse.
Esse trabalho engloba alargamento de caixa de roda, construção de entradas de ar no capô, remodelação de para-choques, retirada de frisos, reconstrução de barra de coluna, modificações na suspensão (pode ser movida a ar) e muitos outros detalhes. E a parte boa é que é feito tudo com material reciclado, de sucata. A parte de lataria sempre é trabalhada com aço, nunca com fibra, e é proveniente de chapa de teto de carros inutilizados, mas que estão com esta parte intacta. Outras peças, como faróis, são compradas de seguradoras para baratear o custo final para o cliente, ao invés de comprar novo.
As portas gaivotas já são bastante conhecidas de quem admira o mundo do tuning, mas agora existe também a porta contrária ou suicida porque abre para trás. Porém, modificá-las não é barato, pode custar até 3 mil reais. A customização do capô fica em torno de R$ 350 e mexer nos para-choques pode chegar a R$ 1.000 de investimento, como dizem os tunadores.
Alex explicou que cada pessoa gasta em média 15 mil reais para deixar o carro do jeito que quer e o trabalho leva no mínimo seis meses até que ele fique inteiramente pronto. O estudante Aelisson Formiga transformou o seu Opala 86 em uma réplica de um Mustang GT 500, com traços bem característicos do carro. Quando perguntado sobre de onde vinha essa paixão, ele respondeu sucintamente “é um sonho realizado”.
Dá pra ver que não é nenhum hobby para essas pessoas, se tornou uma coisa séria mesmo. A paixão por este tipo de customização virou algo maior. Seu Hercílio Cruz tem um Bianco 78 e passou seis anos para concluir a restauração e customização do carro. O detalhe é que em Campina Grande só existem dois carros desse e o outro tem conservada a sua originalidade, mas a paixão pelo tuning fez com que seu Hercílio modificasse as características do lendário Bianco, que já foi considerado em uma época o carro mais caro do país. E o Bianco sai todos os dias para a rua, pois o filho de seu Hercílio, Allan Cruz, utiliza o carro para ir à faculdade.
Todos os outros carros são exclusivamente de exposição. O Fusca 72 de Marcelo Ferreira participa também de competições e já ganhou várias e ainda sobra um tempinho para dar aquele passeio com o dono aos finais de semana. Algumas outras modificações chamam a atenção, como é o caso do Opala de Alex, que tem um dispositivo para mudar o ronco do cano. O escapamento é silencioso, mas quando o dispositivo é acionado o ronco se torna estridente. Assim, o mesmo carro possui as versões esportiva e executiva. Interessante, não?
O mecânico Alex, que virou especialista do assunto na região, está agora trabalhando em um Vectra 94 que deve se tornar a primeira limousine da Paraíba. No próximo ano, o carro já deverá estar pronto, desfilando pelas ruas de Campina Grande. Para alguns, pode parecer um gasto desnecessário o que é feito para modificar os carros à sua maneira, mas todos os entusiastas se divertem com a prática e o mercado em torno desse hobby gera empregos e está fazendo a Paraíba se destacar no cenário nacional com projetistas especializados e inovadores na categoria. Bom para o estado! +Jeanne Silva +Mylena Andrade +Camilla Melo +Alann Ferreira Gomes +Emerson Tadeu +antonio otavio Otavio +Andreza Leão +Alexandre Marques +brauro gomes +Vilmar Junior +claudinho porto Claudinhoporto +Jefferson Cisne +Rodrigo Raposo +Erivan Sousa +Ribamar Cirne +Gwebus Vale +Helder Jesus +Italo Rodrigues +Shisley Junior +jefferson xavier +Arthur Franklin +Nathan Gonçalves +Rogerio Cunha +Joedson Santos +Maciel Lima +edersoares27 

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Escorpião pouco comum na Paraíba é encontrado em São José da Mata

Escorpião foi levado para o Centro de Zoonoses de Campina Grande. (Foto: Rossandra Oliveira).
As equipes da Gerente de Vigilância Ambiental da Secretaria de Saúde de Campina Grande encontraram no distrito de São José da Mata uma espécie de escorpião pouco comum na Paraíba. O Tityus Neglectus é comum nos estados da Bahia e de Pernambuco. Em Campina Grande ainda não havia registro da espécie. O escorpião é venenoso e pode provocar lesões nas vítimas. O animal foi encontrado no sítio Corvão, no distrito.
De acordo com a Gerente de Vigilante Ambiental do município, Rossandra Oliveira, o bicho teria sido trazido da Bahia em uma carga de tijolos comprada pela família que mora no sítio Corvão. "É preciso que as pessoas tenham cuidado redobrado com o escorpião e que se alguém for picado, busque imediatamente o Hospital de Trauma para tomar o soro", disse. Após o soro, a vítima ainda deve receber a vacina, que é oferecida no Centro de Saúde Francisco Pinto, no Centro da cidade.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

São José da Mata ganhará faculdade e os primeiros cursos superiores

O distrito de São José da Mata, em Campina Grande, terá cursos de nível superior oferecidos à comunidade por meio da iniciativa particular.
As inscrições para o vestibular em Pedagogia, Administração, Educação Física e Serviço Social estão abertas até o dia 11 de setembro e devem ser feitas no Centro Educacional Criativo, CEC, no Campo D'Angola.
As aulas serão ministradas e administradas pela Funeso, de Pernambuco, por meio de parceria com o CEC. É a primeira vez que uma universidade oferta cursos para os moradores do distrito.
De acordo com o coordenador do projeto, Cristiano Gouveia, os candidatos pagam R$ 50,00 para se inscrever e fazer o exame no dia 20 de setembro, que será composto de uma prova de redação.
Após a formação de turmas com 40 estudantes, terá início o calendário letivo em 2016.
As aulas serão semi-presenciais, com encontros no próprio CEC a cada terça-feira às 18h30 com complemento de atividades e aulas pela internet.
A inscrição para o vestibular custa R$ 50,00 e são exigidos apenas o RG e o CPF. Se aprovado, o aluno pagará R$ 50,00 por matrícula a cada semestre e as mensalidades variam de R$ 179,00 a R$ 199,00 com material didático incluso. Os cursos têm duração de 4 anos e os documentos necessários para a matrícula são:
Certidão de nascimento ou casamento autenticada
Cópia do Documento de Identidade autenticada
Cópia do CPF autenticada
Certificado de conclusão do Ensino Médio ou equivalente, registrado no órgão competente autenticado
Histórico escolar do Ensino Médio ou diploma de graduação autenticado
Cópia do título de eleitor autenticada
Comprovante de quitação com o Serviço Eleitoral autenticada
Certificado autenticado de Reservista ou prova de estar em dia com o Serviço Militar para o sexo masculino
2 fotos 3X4 atuais
Cópia do comprovante de residência

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Serviço de ônibus muda a partir desta quarta em Campina Grande

(Da Codecom)
Cidade é dividida por áreas e linhas com cores. (Divulgação: STTP).
A partir desta quarta-feira, 05, os Consórcios Santa Maria e Santa Verônica, vencedores da licitação pública realizada pela Prefeitura Municipal de Campina Grande, entrarão em operação no sistema de transporte coletivo urbano da cidade.
O atual sistema de transporte coletivo vinha funcionando mediante uma concessão pública precária e o prefeito Romero Rodrigues já havia autorizado, desde dezembro de 2013, a instalação do processo licitatório.
Ônibus serão identificados de acordo com cor da linha.
O consórcio Santa Maria, composto pelas empresas A. Cândido & Cia. Ltda (Nacional) e pela Viação Santa Rosa Ltda (Cabral), irá explorar as áreas Norte-01 e Oeste-03, que inclui também o Distrito de São José da Mata.
Já o Consórcio Santa Verônica, composto pelas empresas Nacional de Passageiros Ltda (Transnacional) e Verônica Salete de Transportes Ltda (Cruzeiro), operará na área Sul-02.
Com a assinatura dos contratos de concessão, no último dia 05 de junho (durante o Seminário Cidade Expressa), foi iniciado o prazo de 60 dias para a efetivação das novas concessionárias e saída das antigas permissionárias (Borborema, Campina Grande Transportes e Viação São José) que não se habilitaram ao processo licitatório.
As áreas atendidas pelas antigas empresas serão cobertas pelos consórcios, de modo a deixarem garantido o transporte da população diretamente afetada.

VISTORIA E PADRONIZAÇÃO 
O segundo passo foi a realização de vistoria em toda a frota relacionada no processo licitatório, bem como nas garagens das empresas consorciadas.
No terceiro passo, foi emitida a portaria que regulamenta a nova numeração de ordem da frota, para que a mesma se adeque, tanto aos sistemas de circulação nas ruas, quanto aos sistemas de bilhetagem eletrônica e auxiliar de sistemas de GPS.
O próximo passo é a nova identidade visual da frota, para que fique fácil a identificação de percursos e a requalificação das linhas, garantindo maior precisão e cobertura das áreas da cidade. 
No entanto, provisoriamente, para a população não ser desassistida, a frota ostentará o brasão do município em adesivo por cima dos nomes das empresas até então permissionárias e, gradativamente, devem ocorrer às mudanças de lay out de toda a frota.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Novo sistema de transporte começa a operar em São José da Mata

Ônibus da Cabral pertence ao Consórcio Santa Maria, responsável pela linha de SJM. (Foto: Geusinério Gomes).
O blog Jornal com Poesia trouxe a informação na semana passada de que o sistema de transporte coletivo de Campina Grande passaria por mudanças esta semana. Nesta segunda-feira, 3, os passageiros do distrito campinense São José da Mata já começaram a trilhar um caminho diferente para o Centro da cidade. Veículos das empresas Cabral e Nacional começaram a operar na comunidade, inclusive nos sítios Tambor e Capim Grande, e ofereceram mais qualidade no serviço do que o que vinha sendo prestado, de acordo com os usuários.



Os ônibus estão identificados temporariamente, mas serão adesivados com a
logomarca do Consórcio Santa Maria. (Foto: Geusinério Gomes).
Os carros continuam circulando com a logomarca dessas empresas até no máximo 60 dias, quando devem ser uniformizados e adesivados com o símbolo da Santa Maria. A Santa Maria é um Consórcio formado entre Cabral e Nacional para disputar a licitação de transporte da cidade. O processo licitatório definiu as operadoras dos próximos 15 anos na cidade. A Santa Maria ficou as zonas norte e oeste, que engloba São José da Mata, e a Santa Verônica, fusão entre Transnacional e Cruzeiro, ficou com a zona sul. Os roteiros, itinerários e horários podem ser alterados após estudos da STTP e dos Consórcios.

Saiba mais:

A Idalino Transportes, que prestava o serviço de forma exclusiva em São José da Mata há décadas, deixa agora de operar no distrito. A família detentora da empresa, que tem trabalhos sociais no distrito e os integrantes morando na localidade, continua sendo a responsável pelo transporte público em cidades circunvizinhas. Este blog espera que a família possa reorganizar os investimentos, vender os veículos danificados, comprar novos ônibus e agregar na linha em forma de sublocação, conforme é autorizado na licitação. Afinal, foram eles os responsáveis por viabilizar durante tantos anos o transporte para CG, favorecendo a possibilidade de estudarmos e trabalharmos na cidade.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Veja critérios para repasse de FPM para novos municípios

A proposta ainda é incipiente, mas já suscita a discussão. Caso a Lei Complementar 199/15 passe por todas as instâncias e São José da Mata passe por todos os trâmites e se torne município, a nova cidade passaria 12 anos ininterruptos sem receber recursos do Fundo de Participação dos Municípios, o FPM, que é o principal mantenedor das estruturas administrativas das cidades de pequeno porte em todo o país.
Os critérios da proposta apresentada pelo Senado para criação de novas cidades prevê que, somente a partir do 13º ano, a cidade passaria a contar com o FPM, mesmo assim, seria por meio de intermédio da cidade-mãe, no caso Campina Grande, que repassaria, recortaria uma fatia do bolo que ganha e dividiria com SJM proporcionalmente ao tamanho do distrito. Este subfinanciamento duraria do 13º ao 22º ano após a criação da cidade. 
Além destas questões, caso alguma obra ou algum investimento de Campina Grande em São José da Mata tenha resultado em oneração, dívida para a prefeitura de CG, o primeiro prefeito da nova cidade teria que pagar estes dividendos como cota-parte. 





sexta-feira, 24 de julho de 2015

Serviço de ônibus muda em Campina Grande a partir de agosto, diz STTP

Ônibus do Consórcio Santa Maria vão operar zonas Norte e Oeste de Campina Grande. (Foto:Wagner Michel)
O serviço de transporte urbano em Campina Grande deve mudar a partir do dia 5 de agosto. De acordo com a Superintendência de Trânsito e Transportes Públicos - STTP, os dois Consórcios vencedores da licitação para operar o serviço na cidade pelos próximos 15 anos já passarão a administrar as linhas. Os roteiros, itinerários e horários permanecerão os mesmos, mas os veículos devem mudar.
Os contratos das Ordens de Serviços com os dois Consórcios foram assinados no dia 5 de julho e a partir do dia 5 de agosto eles passarão a administrar as linhas para as quais foram escolhidos na licitação realizada no início do ano. A cidade foi dividida em três regiões (Norte, Oeste e Sul). O Consórcio Santa Verônica, formado pela fusão pelas empresas Cruzeiro e Transnacional, ficou com a zona Sul, e o Consórcio Santa Maria, formado pelas empresas Cabral e Nacional, ficou responsável pelas zonas Norte e Oeste, que engloba o distrito de São José da Mata. 
A Gerente de Transporte, Aracy Brasil, explicou que as zonas serão divididas por cores e que a partir de agosto as novas empresas já se instalam nas linhas. As 7 empresas que operam atualmente e que não participaram da licitação deixarão de atuar a partir do dia 5, incluindo a empresa que presta o serviço em São José da Mata há mais de 50 anos. "Inicialmente, os carros dos Consórcios vão atuar sem identificação, terão apenas o nome e o número da linha e a cor da zona. Os consórcios têm até 120 dias para adequar os veículos à identidade visual. Passado este período, já teremos como identificar a melhor forma de cada um atuar e poderá haver mudanças nas rotas", explicou.
Aracy informou que os carros que vão ser utilizados pelos Consórcios já foram vistoriados e estão todos adequados. "Em apenas alguns casos, percebemos falhas nas plataformas elevatórias para cadeirantes. Estes defeitos já estão sendo resolvidos e só circularão carros em boas condições", afirmou.
Saiba mais:
Esta semana, o valor da tarifa de ônibus subiu em Campina Grande de R$ 2,30 para R$ 2,55. Os passageiros esperam que as medidas surtam em melhoria no serviço. O Secretário de Administração da cidade garantiu que isto deve acontecer. "Esta é uma forma de garantir investimentos e melhorias no transporte público da cidade porque as empresas vão empreender sabendo que terão retorno pois têm concessão pelos próximos quinze anos. Os consórcios têm a obrigação de promover cursos voltados para o setor com a comunidade e com os funcionários para qualificar o serviço. Eles precisarão melhorar os ônibus e o sistema de leitura dos cartões de passagens e poderão ser multados, caso não o façam", disse. 

Empresas de ônibus são isentas de pagamentos de impostos em CG

O mais recente aumento na tarifa de ônibus de Campina Grande, passando de R$ 2,30 para R$ 2,55, levantou a discussão sobre a relação custo benefício da passagem paga pelo usuário do transporte coletivo em Campina Grande. Uma questão que é de espantar é que os empresários do setor estão isentos do pagamento do Imposto sobre Serviço de qualquer natureza desde 2013. A Prefeitura Municipal de Campina Grande deixa de arrecadar mais de R$ 300 mil por mês com este perdão fiscal.
De acordo com a Prefeitura, a medida foi tomada em 2013 para amortecer o valor final da tarifa para o usuário, frente aos protestos realizados naquele ano que tiveram como resultado a redução da passagem, de R$ 2,20 para R$ 2,10. A Gerente de Transporte, Aracy Brasil, disse que a medida foi criticada pela Superintendência de Trânsito e Transportes Públicos, STTP. "Este valor poderia ser investido pavimentação e em acessibilidade, em mobilidade urbana, mas o perdão diminui a arrecadação em 5% do total de impostos pagos pelos empresários", disse.
Além disso, o Governo Federal já tinha perdoado também em 2013 o COFINS e o PIS para as empresas de ônibus, representando uma economia de 3,65% para os empresários.
O reajuste tem sido alvo de inúmeras manifestações. A sede da STTP e a Prefeitura foram invadidas por estudantes que fazem parte do Movimento Passe Livre. Esta semana, um Projeto de Lei foi protocolado na Câmara Municipal de Campina Grande para que haja um intervalo entre a homologação do reajuste e a sua validação. Neste último aumento, o Prefeito Romero Rodrigues homologou o novo valor no domingo e a passagem já estava mais cara na segunda-feira, sem ninguém saber. O PL ainda será avaliado.
Uma nova reunião entre entidades representativas, manifestantes e STTP acontece na próxima terça-feira, 28, e vai rediscutir o reajuste aplicado.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

SJM representa um terço da população rural de Campina Grande

Área rural é maior que área urbana em São José da Mata.
(Foto: Geusinério Pinheiro)

De acordo com dados do último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística - IBGE, a população rural do distrito de São José da Mata representa pouco mais de um terço da população rural de toda a cidade de Campina Grande. Campina tem 18.004 habitantes na zona rural e somente São José da Mata tem 6.308 moradores de sítios. Outra curiosidade é que metade da população do distrito é rural, já que SJM tem no total 13.068 habitantes e 6.308 moram na zona rural, com 6.760 na área urbana. Com o desmembramento das cidades, caso São José da Mata seja emancipada, o contingente populacional rural exige a criação de uma pasta específica para tratar de assuntos do campo e articular o provimento de recursos para investimentos na agricultura.